Hora da verdade para o BRB
Enquanto as suspeitas de maior repercussão política e institucional se concentram no Supremo Tribunal Federal, foi no Banco Regional de Brasília (BRB) que se encontraram, até aqui, os indícios mais palpáveis de corrupção de autoridades pelo Banco Master.
O ponto de partida do escândalo, afinal, foi a tresloucada tentativa de compra do Master pela instituição controlada pelo governo do Distrito Federal, em março do ano passado —que despertou desconfiança imediata e levou a Polícia Federal e o Banco Central a aprofundarem investigações sobre o caso.
Descobriu-se que o banco de Daniel Vorcaro vendera ao BRB uma carteira de cerca de R$ 22 bilhões em créditos, dos quais mais de R$ 12 bilhões se mostraram fraudulentos. Neste mês, foi preso o então presidente do banco brasiliense, Paulo Henrique Costa, e nesta quarta (22), a Segunda Turma do STF começou a julgar se a prisão será mantida.
Mensagens obtidas pela PF revelam que Costa tratava Vorcaro como amigo e prometia se empenhar em questões de seu interesse, além de relatar que o então governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), pedira argumentos para defender a compra do Master. De acordo com a apuração policial, Costa, de quem se cogita uma delação premiada, teria recebido seis imóveis como propina.
Em paralelo ao avanço da coleta de evidências, resta tapar um rombo bilionário no BRB —cujas dimensões exatas são desconhecidas porque a instituição distrital até hoje não publicou o balanço de 2025. Mas há pistas.
Também nesta quarta, o banco estatal aprovou em assembleia de acionistas um aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões. Trata-se de uma enormidade diante do capital atual, de R$ 2,3 bilhões.
Se isso dá uma ideia do estrago resultante das relações com Vorcaro, muito mais incerto é como o governo do Distrito Federal, que detém 53,7% das ações, poderá cumprir sua parte na operação e não perder a condição de controlador —a privatização, lamentavelmente, é opção descartada pelas forças políticas locais.
Por ora, só se conhecem paliativos. O BRB começou a vender o que pôde da carteira comprada do Master, mas não espera conseguir mais do que algo entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões à vista. O governo distrital tenta um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), mantido pelo sistema bancário, mas não tem garantias confiáveis a oferecer.
Não espanta, pois, que a governadora Celina Leão (PP) tenha procurado o bom e velho socorro do governo federal, solução histórica para bancos públicos em apuros financeiros. Felizmente, no entanto, as portas do Tesouro parecem fechadas desta vez.
Que assim permaneçam. Não se justifica jogar sobre o contribuinte os custos da gestão temerária, para dizer o mínimo, de uma instituição estatal. O BRB precisa estar submetido às regras de mercado e do Banco Central.

