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Menos agências, mais acesso a bancos

Por necessidade, ao longo de décadas de alta inflação e indexação, há tempos o sistema financeiro brasileiro se consolidou como um dos mais avançados do mundo em tecnologia e rapidez de transações.

Nos últimos anos, o movimento prosseguiu com ampliação do acesso da população ao sistema com o Pix e acirramento da concorrência por meio das fintechs.

A digitalização foi acelerada. Segundo a federação do setor, 82% de 208,2 bilhões de transações bancárias realizadas em 2024 foram feitas por canais digitais —75% delas pelo celular. Os canais físicos (agências, caixas e correspondentes) responderam por somente 5% do total.

Há efeitos colaterais, como a perda de relevância de agências físicas, sobretudo em localidades menores, que vão sendo fechadas. Em apenas dez anos, de 2015 a 2025, o país perdeu 37% de suas agências bancárias, cujo número caiu de 22,8 mil para 14,3 mil.

Assim, 638 municípios ficaram sem agência, totalizando 2.649 sem atendimento presencial, com 19,7 milhões de pessoas afetadas (9% da população).

São especialmente idosos, moradores de áreas rurais e estratos mais pobres que podem ficar desassistidos, por não terem acesso adequado a meios digitais. Ainda hoje, 27% dos pagamentos de contas e 14% dos investimentos ocorrem de forma presencial.

De todo modo, o avanço dos canais digitais é inescapável. Tudo considerado, o quadro geral é positivo, e não deve haver retrocesso na tendência de maior bancarização. O Brasil chegou a 200 milhões de pessoas bancarizadas em janeiro de 2025, segundo o Banco Central.

Milhões oriundos das classes C, D e E, muitos dos quais viviam antes à margem do sistema financeiro, abriram contas digitais via aplicativos simples e gratuitos.

O que era até uma espécie de privilégio se torna rotina para uma ampla maioria, a custos baixos, ao menos em termos de serviços. Nos últimos anos, a tecnologia e a concorrência forçaram os grandes bancos a se mexerem. Nunca houve tantas opções nem tanta conveniência.

Apesar de menos agências, a oferta de serviços é crescente, e o movimento dos últimos anos tem sido, no balanço geral, favorável aos consumidores. A inclusão financeira plena avança simultaneamente na inovação tecnológica e na equidade de acesso, inclusive educacional.

Ainda há muito o que fazer, todavia, para a redução do custo do crédito, que depende de concorrência e de uma gestão econômica responsável que permita a queda sustentável dos juros.

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