banco de brasília Caso Master: Influenciadores relatam que foram procurados para defender o BRB nas redes sociais
Por Carlos Eduardo Valim e Daniel Weterman / O ESTADÃO DE SP
BRASÍLIA E SÃO PAULO — Influenciadores especializados em finanças com centenas de milhares de seguidores relataram terem sido abordados, em nome do Banco Regional de Brasília (BRB), para defender nas redes sociais a versão da instituição financeira estatal sobre a sua participação no caso Master. A operação lembra um conjunto de publicações que, no final do ano passado, atacou as medidas do Banco Central em relação ao Banco Master, liquidado em 18 de novembro.
Durante a apuração da reportagem, a agência Flap, especializada em ações de live marketing e promoções, enviou comunicado ao Estadão afirmando “que o contato estabelecido com influenciadores digitais partiu de uma iniciativa interna de cotação para um evento ainda em fase preliminar de planejamento, sem prévia submissão ou aprovação do Banco BRB” (leia mais abaixo a nota completa). A Flap teria subcontratado uma agência de gestão de campanhas digitais para a intermediação com os influenciadores. Procurado, o BRB não respondeu aos pedidos de esclarecimentos do Estadão.
Por meio de email e mensagens de WhatsApp, os influenciadores receberam, na terça-feira, 27, um pedido de orçamento para que participassem de almoço no dia 10 ou 24 de fevereiro a convite do presidente do BRB, Nelson Antonio de Souza.
O objetivo do encontro seria para que técnicos da estatal explicassem “as medidas de contenção de danos e as ações de recuperação” adotadas e que mostrassem “a transparência que o BRB quer passar para seus clientes e o mercado”.
Pelo valor que fosse decidido em contrato, eles deveriam, além de participar do almoço, publicar no Instagram um relato no espaço de stories e um vídeo em reels resumindo o evento. O conteúdo deveria seguir um roteiro passado pelo banco. Era prometido um pagamento para 40 dias depois da ação.
O BRB enfrenta um desgaste após comprar R$ 12,2 bilhões em ativos considerados “podres” do Banco Master e ter feito uma oferta para adquirir uma fatia do Master, barrada pelo Banco Central. Agora, o BRB precisará levantar recursos para cobrir esse prejuízo e evitar um rombo nas contas. O governo do Distrito Federal estuda fazer um aporte no banco, oferecer imóveis em garantia para um empréstimo no Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ou ainda lançar um fundo imobiliário do BRB formado com imóveis públicos do DF.
Influenciadores conhecidos do segmento disseram, em suas redes sociais, terem recebido a proposta e a rejeitado. Foram os casos de Murilo Duarte, conhecido como Favelado Investidor; Renata Barreto, sócia do escritório de investimentos Faz Capital; e Renato Breia, cofundador da casa de análises Nord Investimentos. Outros nomes conhecidos também foram procurados, como a jornalista Nathalia Arcuri, segundo confirmou a sua assessoria de comunicação ao Estadão.
Os influenciadores que divulgaram o caso demonstraram não terem recebido bem a proposta. “Não conheço ninguém que aceitou”, diz Duarte, conhecido como Favelado Investidor nas redes, e que tem mais de 580 mil seguidores no Instagram.
“O Banco Master prejudicou muita gente, com muita gente envolvida, políticos, empresários, e os investidores que confiaram no CDB deles que sofreram, mesmo que tenha cobertura pelo FGC”.
Em vídeo em suas redes sociais, Breia criticou a iniciativa. “Um banco que tem CDBs no mercado, que tem o seu próprio RI (área de relações com investidores), precisa de um influencer ir lá almoçar com o presidente para falar bem do banco?”, disse.
O que diz a nota da agência Flap
A FLAP, agência de live marketing e promoções, esclarece que o contato estabelecido com influenciadores digitais partiu de uma iniciativa interna de cotação para um evento ainda em fase preliminar de planejamento, sem prévia submissão ou aprovação do Banco BRB. O objetivo da agência era convidar influenciadores reconhecidos no mercado pela seriedade e pela atuação no segmento econômico/financeiro para um evento onde seria feita uma apresentação institucional pela nova direção do BRB. O propósito da iniciativa era ampliar o acesso à informação, promovendo transparência e permitindo que diferentes públicos tivessem contato com os esclarecimentos prestados pelo Banco.
Reiteramos que, em hipótese alguma, houve qualquer tentativa de compra de opinião ou interferência editorial. A agência respeita a independência dos profissionais que atuam em redes sociais. Ressaltamos que a abordagem foi conduzida pela equipe da agência e seus fornecedores, sem qualquer participação de funcionários do Banco BRB. A FLAP reafirma seu compromisso com a ética, a transparência e o respeito às boas práticas do mercado.

