Com duas vacinas, 2026 abre cenário positivo no enfrentamento da dengue
Por Editorial / O GLOBO
O ano de 2026 poderá representar uma virada na luta das autoridades de saúde contra o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. O Brasil contará pela primeira vez com duas vacinas para combater a doença. Uma é a Qdenga, da farmacêutica japonesa Takeda, em uso no país desde 2024, embora de forma restrita. A outra é a Butantan-DV, do Instituto Butantan, primeira do mundo em dose única, aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no fim de novembro. Ainda que não esteja prevista produção em larga escala das duas, elas tendem a tornar a perspectiva mais favorável do que tem sido.
A dengue é uma doença que há décadas desafia o país, devido ao grande número de casos (especialmente nos períodos quentes e chuvosos) e às formas graves, que muitas vezes sobrecarregam as unidades de saúde. Nos últimos anos, os registros têm se mantido acima de 1 milhão, nível preocupante. Em 2024, bateram o recorde, chegando a 6,6 milhões de notificações e 6,3 mil mortes. É verdade que houve uma redução significativa em 2025, com 1,65 milhão de casos e perto de 1,8 mil mortes, mas a situação está longe de controlada.
A Qdenga, que começou a ser aplicada no Brasil em janeiro de 2024, obteve impacto restrito devido aos gargalos de produção. Com estoques limitados, o Ministério da Saúde decidiu usá-la apenas na faixa de 10 a 14 anos (ampliada ocasionalmente quando as doses estão perto do vencimento), mesmo assim apenas nos municípios com maior incidência da doença. A expectativa da farmacêutica é ampliar a produção nos próximos anos. “Vamos passar de basicamente 9 milhões de doses, no primeiro ano de lançamento, para 100 milhões de doses por ano em 2030”, disse em entrevista ao GLOBO Derek Wallace, executivo da Takeda. “O Brasil é um país muito grande. Definitivamente há espaço para duas vacinas contra a dengue.” O Ministério da Saúde encomendou 9 milhões de doses da Qdenga para este ano e outros 9 milhões para 2027.
A vacina do Butantan também não atenderá de imediato às demandas do país. De acordo com a estratégia definida pelo Ministério da Saúde, o estoque de 1,3 milhão que já estava pronto antes da aprovação pela Anvisa será usado em profissionais de atenção primária. À medida que a produção for aumentando, novos públicos serão contemplados.

