PIB interrompe neste 2025 série de surpresas positivas
A economia brasileira deve crescer pouco acima dos 2% neste 2025, segundo a mediana das estimativas de mercado pesquisadas semanalmente pelo Banco Central. Para o Ministério da Fazenda, o avanço do Produto Interno Bruto será de 2,2%; para o próprio BC, de 2,3%.
Desse modo, as cifras ficam próximas entre si e também das expectativas de analistas coletadas no início do ano, de 2,01%. Interrompe-se, portanto, a série de surpresas positivas com PIB observada de 2022 a 2024, depois de superado o pior da pandemia.
Erros nas previsões para a atividade não são incomuns. Costumam ocorrer imprevistos relevantes, econômicos, políticos ou de outra natureza, como eventos climáticos. Os modelos de projeção são imperfeitos. Ainda que não fossem precários, as relações entre variáveis no passado não dão conta de inovações e mudanças estruturais.
Mais importante é se valer das estimativas para entender influências nelas desconsideradas.
Como tem observado Bráulio Borges, colunista desta Folha, o aumento do gasto público vinha sendo subestimado, não apenas o do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como os de estados e municípios. A alta da despesa animou de início uma economia deprimida desde 2015, com grande ociosidade de trabalho e capital.
Os efeitos colaterais do expansionismo orçamentário ficaram visíveis em 2024, com sinais de superaquecimento e inflação. O descrédito da política fiscal, crescente ao longo do ano passado e evidenciado também na taxa de câmbio, contribuiu para a alta dos preços e dos juros.
Há indícios de que mudanças no mundo do trabalho evitaram inflação ainda maior, mesmo com taxas de desemprego baixas. A reforma da CLT de 2017 flexibilizou contratos e diminuiu custos de contratação; houve mudanças tecnológicas, a influenciar a oferta de mão de obra.
Já o avanço do mercado de capitais e da concorrência bancária facilitaram o crédito, o que parece ter contido o efeito das taxas de juros elevadíssimas, fazendo com que atividade econômica arrefecesse mais lentamente.
O fator exógeno mais importante do ano foi a desvalorização mundial do dólar, resultante das trapalhadas de Donald Trump, que contribuiu para conter a inflação doméstica. O sucesso da agropecuária, a moderação dos preços mundiais dos alimentos e do petróleo, além de exportações chinesas de bens industriais baratos, foram outros atenuantes da carestia.
O gasto público total, embora nas alturas, cresceu menos. Como resultado, o pouso da economia é suave. No curto prazo, há convergência lenta do IPCA para a meta, sem choque no PIB.
O quadro mais amplo, porém, é de endividamento público crescente e níveis baixos de investimento, despesa governamental alta e ineficiente combinada a juros proibitivos para famílias e empresas. Por óbvio, não é receita de crescimento duradouro.

