Privatizações mostram que, quando ideologia sai de cena, país avança
Por Editorial / O GLOBO
No episódio mais recente, o governo repactuou o contrato de concessão da Rodovia Fernão Dias (BR-381), que liga São Paulo a Belo Horizonte cortando 33 cidades. O leilão foi vencido pela Motiva (ex-CCR), que superou a Arteris, atual concessionária. Foi o quarto certame para otimizar contratos, e o primeiro em que a atual gestora não levou. A Fernão Dias deverá receber R$ 9,5 bilhões em investimentos, mais R$ 5,4 bilhões em custos operacionais ao longo da concessão. A estrada é um dos principais corredores logísticos do país e registra cerca de 250 mil veículos por dia. O ministro dos Transportes, Renan Filho, disse que ela receberá melhorias na pavimentação e novos acessos às cidades, entre outras intervenções. O atual governo já fez 22 leilões de rodovias e prevê mais 14 para 2026.
O mesmo ímpeto tem contribuído para a privatização dos aeroportos. Em novembro, a GRU Airport, dona da concessão de Guarulhos, em São Paulo, venceu o leilão de 12 terminais regionais, enquanto a alemã Fraport, que administra os aeroportos de Fortaleza e Porto Alegre, arrematou o de Jericoacoara (CE). O investimento previsto nesses locais é estimado em R$ 730 milhões. A intenção é conectá-los à malha nacional e fomentar o desenvolvimento das cidades.
Não menos importante será a licitação do Aeroporto Internacional Tom Jobim/Galeão, no Rio, que experimenta recuperação depois de longo esvaziamento decorrente de problemas no contrato e de desequilíbrio na coordenação com o terminal doméstico Santos Dumont. Na quinta-feira, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aprovou o edital do leilão simplificado que ocorrerá em março, com lance mínimo de R$ 932,8 milhões. A intenção é corrigir problemas financeiros do contrato. O governo torce para que a atual concessionária RIOGaleão continue operando o aeroporto.
Quando a resistência ideológica sai de cena, o país avança. Para qualquer brasileiro que circula em rodovias administradas pelo governo federal, fica claro que o Estado não tem condições de mantê-las. É verdade que nem todas são passíveis de concessão à iniciativa privada, pois algumas não são atraentes financeiramente. Mas as que são viáveis devem ser transferidas. Ao menos no setor de infraestrutura, o governo tem se rendido ao óbvio: rodovias e aeroportos melhoram significativamente quando administrados por concessionárias privadas. Se tivesse adotado a mesma atitude diante dos Correios, certamente a empresa não atravessaria crise tão grave, e o contribuinte não teria de arcar com bilhões em mais uma tentativa desesperada de salvá-la.
O Aeroporto Tom Jobim/Galeão, no Rio — Foto: Guito Moreto - Agência O Globo/14/01/2025

