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Brasil reforça desigualdade com gasto e juros altos

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A desigualdade é traço característico da história da humanidade, e soa utópica uma configuração igualitária entre todos do ponto de vista econômico. A maior tentativa de experiência moderna nesse sentido foi a falida União Soviética, que acabou aderindo ao sistema capitalista no início dos anos 1990.

Afinal, alguns indivíduos ousam mais do que outros, correm riscos e acabam recompensados por criar oportunidades e invenções que os enriquecem, ao mesmo tempo em que espraiam bem-estar social com produtividade.

As últimas décadas, no entanto, têm sido marcadas pela "financeirização" do capitalismo, em que simplesmente dinheiro produz mais dinheiro. Não só empresas inovadoras geram lucros, mas riquezas acumuladas são perpetuadas em escala inédita.

 

Segundo o mais recente Relatório da Desigualdade Global —o terceiro volume de um trabalho internacional de mais de 200 pesquisadores coordenado pelo economista francês Thomas Piketty, autor de "O Capital do Século 21"—, a desigualdade de renda e riqueza segue em alta e em velocidade cada vez maior.

Em relação à acumulação patrimonial, 0,001% de pessoas no planeta (56 mil) detêm três vezes mais patrimônio do que toda a metade mais pobre adulta combinada (2,8 bilhões).

 

No quesito de rendimentos per capita, não surpreende que o Brasil, com todas as suas reconhecidas mazelas, ocupe a quinta posição de país mais desigual do mundo. Os demais são África do Sul, com cicatrizes do apartheid, Colômbia, México e Chile.

Os 10% dos brasileiros no topo da pirâmide de rendimentos capturam 59,1% da renda nacional, enquanto a metade mais pobre fica com apenas 9,3%.

No caso da concentração da riqueza, que inclui ativos financeiros e outros bens, como imóveis e aplicações, o país está na sexta colocação. Os 10% mais ricos detêm 70% do total, e o 1% no topo acumula mais de um terço.

O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tomou medidas em busca de maior progressividade tributária, para que os mais ricos paguem mais impostos. Recentemente, aprovou-se a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 por mês.

É uma mudança importante, já que, de mais de 4.800 projetos analisados pelo Congresso Nacional entre 1989 e 2020, apenas 5% foram progressivos, segundo pesquisa da Universidade de São Paulo.

 

O problema crucial neste momento, porém, é a brutal concentração de renda que a gestão petista promove de forma irresponsável ao levar o Banco Central a manter juros de 15% ao ano para debelar uma inflação gerada, principalmente, por gastos públicos descontrolados.

Serão R$ 1 trilhão em juros pagos neste ano a quem tem algum dinheiro aplicado, mesmo valor direcionado a 41 milhões de beneficiários do INSS. Isso faz do Brasil campo fértil para rentistas e para a perpetuação de desigualdades via "financeirização".

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