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Falta dinheiro para brasileiros casarem ‘de papel passado’

Por  Editorial / O GLOBO

 

O casal Michelli Almeida e Rafael Zaffari, retratado em reportagem do GLOBO, integra um grupo em expansão no Brasil: as uniões consensuais. São casamentos informais, “sem papel passado” (o IBGE também inclui aí as uniões civis estáveis). Pela primeira vez no Censo 2022, esse foi o grupo predominante entre os 51% dos brasileiros que viviam algum tipo de união conjugal.

 

Uniões consensuais representaram 38,9% dos casais, ante 37,9% para casados no civil e no religioso, 20,5% para casados apenas no civil e 2,6% apenas no religioso. Seis décadas atrás, em 1960, 60,5% eram casados no civil e no religioso, 20,2% apenas no religioso, 12,8% apenas no civil, e 6,4% não tinham papel passado. A inversão nas proporções traduz uma transformação profunda da sociedade brasileira.

 

Casais com formalização religiosa e civil estão em franca retração, depois de representarem 64,5% das uniões no Censo de 1970. Destaca-se também a redução na proporção de casamentos religiosos. Em 1970, 88,9% das uniões contavam com chancela confessional. Em 2022, apenas 40,5%.

 

Há, sem dúvida, menos conservadorismo nos costumes brasileiros. Nada deixa isso tão patente quanto o crescimento das uniões homoafetivas. Em 2010, os recenseadores encontraram casais gays em 0,1% dos lares, ou 58 mil. Em 2022, eles foram multiplicados por oito, para 480 mil, ou 0,7% do total. Mas a razão mais provável para o crescimento das uniões informais é outra: com a popularização das uniões civis estáveis, tornou-se mais simples e mais barato para um casal partilhar bens comuns e usufruir os mesmos direitos que os casados formalmente.

 

Uma evidência de que a razão para haver mais uniões consensuais é financeira está no grupo dos que recebem até meio salário mínimo: casais “sem papel passado” alcançam 52,1%, ante 44,1% casados no cartório (incluindo os unidos em cerimônia religiosa). Outra evidência: as maiores proporções de união consensual estão em estados de renda baixa: Amapá (62,6%), Roraima (58,4%) e Amazonas (55,9%). No outro extremo, estão estados ricos como Minas (29,4%), Espírito Santo (31,2%) e São Paulo (31,3%). Casar, seja no civil, seja no religioso, custa caro. É o que revela o casal Michelli e Rafael. Eles até pensaram em formalizar a união depois que nasceu o filho Apollo, hoje com 1 ano. Mas desistiram. “Estamos esperando um momento financeiro mais adequado”, diz Rafael.

 

CASAL DE SEM TERRAS

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