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Avaliando um ensino superior transformado e desigual

Embora se mantenha a liderança de um pequeno grupo de instituições públicas no Ranking Universitário Folha (RUF), que chega a sua 11ª edição, a educação superior passou por modificações profundas nos últimos anos e décadas no Brasil.

O que mais chama a atenção é a forte expansão das vagas. Entre 2000 e 2022, a proporção dos habitantes com 25 anos ou mais que concluiu um curso superior passou de 6,8% para 18,4%, segundo os censos do IBGE.

A grande maioria das novas matrículas foi feita em estabelecimentos privados, ainda que também tenha havido expansão no setor público. Outra mudança vertiginosa se deu na modalidade de ensino. Em 2012, ano de estreia do RUF, o EAD (ensino a distância) representava apenas 16% das matrículas; hoje, são 51%, vale dizer, mais da metade.

Como não poderia deixar de ser, é enorme a heterogeneidade do setor. Há desde cursos extremamente concorridos, disputados palmo a palmo pela elite dos estudantes, até escolas que oferecem mais vagas do que as que conseguem ocupar. Por vezes, uma mesma instituição tem alguns cursos com alta procura e outros com vagas ociosas.

Há muito mais por vir. Ainda é cedo para estimar o impacto que a inteligência artificial terá na sociedade, mas já se pode dizer que ela, a exemplo de outros grandes avanços tecnológicos, abalará o mercado de trabalho —criando novas demandas, tornando certas funções obsoletas e redimensionando as necessidades de empresas por profissionais.

Nessa profusão de opções, um jovem que acaba de concluir o ensino médio e tem de lidar com as inseguranças naturais quanto à escolha de carreira pode facilmente se perder. O RUF pretende ser uma ferramenta para que ele tome suas decisões, que têm repercussões de longo prazo, de modo mais informado.

Embora um diploma universitário ainda seja uma poderosa ferramenta de ascensão social, não são poucos os problemas do do ensino superior no país. Entre as instituições públicas, que ocupam as 20 primeiras colocações no RUF, há deficiências de financiamento que não serão sanadas sem revisão do modelo atual.

Governos deficitários, que já lidam com pressões por mais gastos em previdência e saúde decorrentes do envelhecimento da população, terão cada vez mais dificuldades em arcar sozinhos com os custos de universidades. O país está gravemente atrasado no debate sobre a contribuição dos alunos mais abonados.

Do lado privado, sobretudo no EAD, preocupações quanto à qualidade do aprendizado apenas começaram a motivar novas normas do Ministério da Educação (MEC).

Com uma avaliação que leva em conta ensino, pesquisa, mercado, inovação e internacionalização, o RUF também pode contribuir para diagnósticos sobre o setor. Como costumam dizer os físicos, só conhecemos aquilo que conseguimos medir, mesmo que as medidas não sejam perfeitas.

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