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Projeto potiguar de retomada territorial pode servir de inspiração ao Rio

Por  Editorial / O GLOBO

 

Barricada erguida por facção no Complexo do Alemão, na Zona Norte do RioBarricada erguida por facção no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo/28/10/2025

 

Faz sentido a ideia do secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo, de oferecer ao governo do Rio o projeto-piloto de retomada de territórios testado numa área conflagrada do Rio Grande do NorteEm entrevista ao GLOBO, Sarrubbo disse que conversará sobre o assunto com o governador fluminense, Cláudio Castro (PL). Trata-se de um protótipo elaborado pelo governo federal para levar policiamento e serviços públicos a áreas dominadas por facções criminosas. A depender dos resultados, poderá ser estendido a outras regiões.

 

 

Desenvolvido em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), o projeto prevê num primeiro momento ações policiais para prender lideranças de facções e retomar o território sequestrado pelos criminosos. A primeira operação ocorreu no mês passado, reunindo polícias Militar, Civil, Rodoviária Federal e o Ministério Público estadual. “A polícia entra, satura, depois entram os serviços públicos, e a polícia vai saindo aos poucos”, disse Sarrubbo. A iniciativa prevê serviços como Defensoria, mediação de conflitos, iluminação, urbanismo, saúde e educação. Os primeiros resultados deverão ser divulgados no mês que vem.

 

Um dos desafios está na relação conturbada entre Planalto e Palácio Guanabara. Após a operação nos complexos do Alemão e da Penha, Castro se queixou da falta de cooperação federal. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, veio ao Rio anunciar a criação de um escritório conjunto de enfrentamento ao crime organizado, mas a relação voltou a se deteriorar quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a operação como “matança”. Outro desafio é a desconfiança de ingerência nos estados. Por uma visão equivocada, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança, que prevê maior participação federal no combate ao crime, tem enfrentado resistência do Congresso e de governadores oposicionistas.

 

O avanço das facções criminosas pelo Brasil exige resposta firme e urgente de todos os níveis de governo. O combate à violência só será bem-sucedido se houver um trabalho integrado entre todas as forças de segurança. Os estados isoladamente não conseguem enfrentar organizações criminosas que atuam em diferentes estados e fora do país. Seria saudável, portanto, que os governos federal e fluminense se unissem para retomar territórios das facções. É verdade que o projeto testado no Nordeste ainda é embrionário, mas vai na direção correta ao conjugar policiamento com a oferta de serviços públicos, seguindo experiências internacionais bem-sucedidas. É certo também que não se conseguirá reverter de uma hora para outra uma situação grave como a atual. Mas é preciso começar. Quanto mais forças se juntarem nesse esforço, maiores as chances de sucesso.

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