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Manifestações contra PEC da Blindagem e projeto da Anistia reúnem artistas e movimentos sociais em Rio, SP, Salvador, BH e outras capitais

Por Samuel LimaLucas Salgado e Cibelle Brito— São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília / O GLOBO

 

Movimentos de esquerda e artistas realizaram neste domingo uma série de atos com críticas ao Congresso Nacional, que durante a semana aprovou na Câmara a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem, que dificulta a abertura de ações penais contra parlamentares, além do projeto que mira a redução de penas dos envolvidos no 8 de janeiro e na trama golpista. Os protestos foram convocados durante a semana pelas redes de movimentos sociais, parlamentares de partidos como PSOL, PSB e de artistas como Caetano Veloso, e chegaram a reunir mais de 40 mil pessoas nas capitais Rio e São Paulo. O Palácio do Planalto não comentou sobre o tema. Os atos ocorreram em pelo menos 22 capitais pelo país, em manifestações durante toda a manhã e tarde. Com público concentrado no Masp, na Avenida Paulista, foram contabilizadas 42.379 mil pelo "Monitor do debate político", da USP. No Rio, onde o ato foi puxado principalmente pela presença de artistas e com menos viés político, 41,8 mil pessoas se concentraram na praia de Copacabana, segundo cálculos do mesmo estudoSegundo a colunista Bela Megale, o tamanho dos atos assustou os bolsonaristas. Apesar da ordem ser minimizar, em reservado, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmam terem ficado surpresos com o público.

Veja como foram os atos pelo país.

Artistas em coro contra PEC no Rio

A série de manifestações convocadas por artistas pelo Brasil teve como núcleo central a Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio. O ato carioca apostou em nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque para levar mobilizar milhares de pessoas na tarde deste domingo. A manifestação ocorreu em trio elétrico fixado na altura do Posto 5.

 

Descrito nas redes como “ato musical”, a manifestação evitou a presença de políticos no trio elétrico. Pouco engajado com as falas de políticos, o público presente no local começou a demonstrar incômodo com o atraso para o início das apresentações musicais. Por volta das 15h10 foi possível ouvir gritos de “começa”. Com o forte calor, a produção do ato iniciou a distribuição de água para o público. Ainda assim, algumas pessoas precisaram ser retiradas da grade por relatarem mal-estar.

 

Apesar disso, na plateia era possível ver bandeiras e camisas de legendas da esquerda, como PT, PCdoB e PSOL. Ausentes do trio principal, figuras políticas marcaram presença em Copacabana, como a deputada estadual Dani Balbi (PCdoB-RJ), e os deputados federais Tarcísio Motta (PSOL-RJ), pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ), Talíria Petrone (PSOL-RJ), Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e Duda Salabert (PDT-MG). Os políticos chegaram discursar em trio menor posicionado a alguns metros do principal, antes do início das apresentações musicais. No público, muitos coros de “sem anistia” e contra Bolsonaro. A mobilização de Caetano, Gil e Chico movimentou as redes sociais nos últimos dias, com muitas pessoas lembrando a participação do trio na Passeata dos Cem Mil, protesto contra a ditadura militar no Centro do Rio, em 1968. Em vídeo publicado nas redes sociais na última semana, Caetano chamou a proposta em andamento no Congresso de "PEC da Bandidagem" e defendeu a realização de manifestações populares contra a iniciativa legislativa.

 

Diferentemente dos protestos bolsonaristas realizados no mesmo local no último dia 7 de setembro, em que o verde e amarelo foi o visual preferido das cerca de 40 mil pessoas presentes, neste domingo a paleta foi mais variada. O vermelho foi a opção de muitos, mas também foi possível observar muitas pessoas optando pelo azul, pelo verde e pelo amarelo, cores quase sempre acompanhadas de adesivos com dizeres como “sem anistia” ou “Brasil soberano”. O boné azul escrito “o Brasil é dos brasileiros” também foi a opção de muitos. O branco também se fez presente diante de um dia de forte calor em Copacabana e pelo fato do lugar ter abrigado horas antes uma caminhada em defesa da liberdade religiosa.

 

Após espera paciente por parte da plateia, o ato musical teve início por volta das 16h15 com o aumento dos gritos de “sem anistia”. A seleção de hits políticos entoou o público durante cerca de duas horas. Maria Gadú abriu as apresentações cantando a sugestiva “Como nossos pais”, de Belchior, com direito a alteração na letra para dizer que “eles não venceram e o sinal está sempre aberto para nós que somos jovens”. Na sequência, Os Garotin cantaram “Olhos coloridos”, de Sandra de Sá. Marina Sena, “Brasil”, de Cazuza e tema da novela da TV Globo “Vale tudo”. Caetano, que fez as vezes de mestre de cerimônia, fez uma sequência musical engajada com “Podres poderes”, “Gente”, “Um índio”, “Alegria, alegria” e “Desde que o samba é samba”. — Sem anistia. O povo brasileiro elegeu Lula e por isso a democracia no Brasil resiste — afirmou Caetano. — Não poderíamos deixar de responder aos horrores que vem surgindo a nossa volta. Caetano ainda levou ao palco Djavan, Gilberto Gil e Chico Buarque, que cantou o hino contra a ditadura “Cálice”, emendada com “Samba do grande amor”, na voz de Chico e Djavan. O palco ainda teve Geraldo Azevedo e Ivan Lins, que chamou a PEC da blindagem de “a maior cara de pau da história”.

SP com petistas históricos, Erundina, Tabata e Boulos

Em São Paulo, o público se concentrou a partir das 13h na Avenida Paulista, e se dispersou após uma forte chuva, por volta fas 16h30. No início da tarde, o movimento ainda era parecido com o dos domingos, quando as duas pistas permanecem fechadas para pedestres durante várias horas. Poucos minutos depois, sindicatos, partidos como PT, PCdoB e PSOL e movimentos sociais estenderam faixas, levantaram bandeiras e distribuíram materiais diversos, como adesivos de "sem anistia" e leques de papel contra a "PEC da Bandidagem".

 

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