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Cocaína em alta e falência da guerra às drogas

EDITORIA DA FOLHA DE SP

A chamada guerra às drogas, que surgiu nos Estados Unidos nos anos 1970 e se espalhou pelo mundo, é uma política baseada na proibição por meio do combate policial e militarizado e do aumento de penas, com foco na redução da oferta.

Pesquisas científicas e a experiência global mostram com clareza que tal estratégia fracassou, ao estimular a violência armada de facções rivais que disputam fatias do mercado ilegal e dificultar o acesso a tratamentos de usuários que desenvolvem dependência. Isso tudo sem conseguir diminuir a oferta e o consumo.

Relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) mostrou que mais de 316 milhões de pessoas no mundo usaram drogas em 2023, o que representa alta de 28% em relação a dez anos antes.

maconha é a droga mais consumida (244 milhões de usuários), seguida por opioides (61 milhões), anfetaminas (31 milhões) e cocaína (25 milhões).

Em relação a esta última, o UNODC reportou em junho que seu comércio global bateu recordes históricos, com 3.708 toneladas produzidas —aumento de 34% na comparação com 2022 e cerca de um quíntuplo do registrado em 2013. O número de consumidores passou de 17 milhões em 2013 para 25 milhões em 2023.

Trata-se do mercado de droga ilegal que apresentou a mais rápida expansão nos últimos anos, e a alta foi puxada pela Colômbia, onde a produção de cocaína aumentou 53% entre 2022 e 2023, quando atingiu 2.600 toneladas.

O fenômeno se deve não só à ampliação da área plantada de folha de coca, mas a desenvolvimentos tecnológicos que elevam a produtividade por hectare.

Grupos dissidentes das guerrilhas Farc e Exército de Libertação Nacional (ELN), que não aceitaram o acordo com o governo colombiano em 2016 para abandonar as armas em troca de concessões políticas, passaram a atuar no narcotráfico e se articulam com cartéis mexicanos, que investem em especialização técnica tanto no cultivo da planta como no refinamento da cocaína.

Regiões de consumo também se diversificaram para além de EUA e Europa, com crescimento em ÁfricaÁsia e, principalmente, Austrália e Nova Zelândia.

O cenário evidencia como a política de guerra às drogas equivale a enxugar gelo, sem contar o efeito nefasto da violência que afeta sobretudo populações mais pobres —como se viu na crise humanitária deflagrada em janeiro em Catatumbo, no norte da Colômbia, devido a disputas entre a ELN e dissidentes das Farc.

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