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Aprovação de Lula é de 50,2% e desaprovação, 49,7%, mostra pesquisa AtlasIntel/Bloomberg

Por Daniel Galvão / O ESTADÃO DE SP

 

 

A aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou em 50,2% e superou a desaprovação (49,7%) pela primeira vez em 2025, aponta pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quinta-feira, 31. De acordo com o levantamento, 0,2% não soube responder. Na pesquisa divulgada em 13 de julho, 49,7% aprovavam Lula e 50,3% desaprovavam. A aprovação de Lula sobe desde maio, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou com as tarifas de 50% sobre produtos brasileiros.

 

Nesta quarta-feira, 30, Trump oficializou a medida, deixando quase 700 itens de fora do tarifaço. A pesquisa foi realizada entre 25 e 28 de julho, portanto antes da confirmação da taxação pelos EUA.

 

O presidente brasileiro tem a maior aprovação, no recorte de renda familiar, entre os que ganham acima de R$ 10 mil – 60,2%. A maior desaprovação é entre os que ganham entre R$ 2 mil e R$ 3 mil – 56,4%. Por gênero, Lula é mais aprovado pelas mulheres (56,8%) do que pelos homens (43,4%).

 

Na abordagem por região, o Nordeste é onde o presidente tem sua maior aprovação: 66,1%. Nas demais regiões, os índices de aprovação de Lula são: 29,7% (Norte), 50,9% (Sudeste), 32,3% (Centro-Oeste) e 40,8% (Sul). Já sua maior desaprovação está na Região Norte, com 70,3%. A segunda região com maior desaprovação é o Centro-Oeste, com 67,6%. No Sul, 58,7% desaprovam Lula, enquanto que no Sudeste o índice é de 48,9% e no Nordeste, de 33,9%.

 

Imagem positiva de Lula ultrapassa a negativa

A imagem positiva de Lula subiu para 51% e ultrapassou a negativa (48%), segundo a pesquisa. 

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem 48% de imagem positiva e 51% de negativa.

Já o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, tem 47% de imagem positiva e o mesmo índice de negativa.

 

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) possui 44% de imagem positiva e 55% de negativa. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), está com 47% de imagem positiva e 46% de negativa, conforme o levantamento.

 

A pesquisa faz parte do relatório Latam Pulse, que fornece dados mensais sobre a situação política, social e econômica do País. O levantamento foi realizado com 7.334 respondentes em recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de 1 ponto porcentual e o nível de confiança, de 95%.

Hotéis criaram uma crise e países querem COP30 fora de Belém, diz presidente da conferência

João Gabriel / FOLHA DE SP

 

 

O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30 —a conferência sobre clima da ONU (Organização das Nações Unidas)— confirmou que alguns países pediram que o evento não aconteça em Belém e criticou a postura do setor hoteleiro, de cobrar valores altos para a hospedagem no período da reunião.

"Ficou público que os países estão pedindo para tirar a COP de Belém", afirmou ele nesta quinta-feira (31).

Segundo o embaixador, a rede hoteleira de Belém tem cobrado para a conferência preços dez vezes mais altos que o normal, quando o costumeiro para outras edições do evento é que o valor aumente muito menos, duas ou, no máximo, três vezes.

"Acredito que talvez os hotéis não estejam se dando conta da crise que eles estão provocando", completou. Ele participou de um evento com o IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás), promovido pela Associação de Correspondentes Estrangeiros (AIE).

A irritação com os altos preços dos hotéis vem sobretudo de países em desenvolvimento, como revelou a agência de notícias internacional Reuters. Em razão disso, a UNFCCC (braço de clima da ONU) realizou uma reunião de emergência na terça-feira (29).

No encontro, o Brasil concordou em lidar com as preocupações dos países sobre hospedagem e dar um retorno em uma nova reunião em 11 de agosto, disse à Reuters Richard Muyungi, presidente do Grupo de Negociadores Africanos, que convocou a reunião.

"Nos asseguraram que revisitaremos isso no dia 11, para obter garantias de que a hospedagem será adequada para todos os delegados", afirmou Muyungi após a reunião.

Ele argumentou que os países africanos querem evitar reduzir sua participação devido ao custo.

"Não estamos prontos para reduzir os números. O Brasil tem muitas opções para termos uma COP melhor, uma boa COP. Por isso estamos pressionando para que o Brasil forneça respostas melhores, em vez de nos dizer para limitar nossa delegação", declarou também Muyungi.

HOTEL EM CONSTRUÇÃO EM BELEM COP 30

Quatro pessoas são mortas a tiros em chacina em Itapajé, no interior do Ceará

Escrito por Redação / DIARIONORDESTE
 
 

Quatro pessoas foram mortas a tiros na cidade de Itapajé, no interior do Ceará, na madrugada desta quinta-feira (31). Segundo informações do Bom Dia Ceará, da TV Verdes Mares, as vítimas estavam todas encapuzadas e usando camisas de mangas compridas.

Os corpos foram encontrados em via pública, na rua Romão Ferreira Lima, no Bairro Esmerino Gomes. 

Diário do Nordeste entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) e aguarda retorno com mais informações. 

Chacina EM ITAPAGÉ

 

 

 

Governo Lula vê Brasil com alguns ganhos na crise do tarifaço, mas teme imprevisibilidade de Trump

Por  e  / O GLOBO

 

Os últimos acontecimentos relacionados à crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos, todos concentrados nesta quarta-feira, acabaram melhorando a posição de desvantagem do governo brasileiro em relação à Casa Branca. No entanto, interlocutores envolvidos no assunto, em Brasília, afirmam que não é possível cantar vitória neste momento, devido ao quadro de imprevisibilidade que se tornou marca da gestão do presidente americano Donald Trump.

 

Em uma avaliação preliminar, o adiamento, em sete dias, da data da vigência da sobretaxa de 50% sobre as exportações brasileiras, antes prevista para esta sexta-feira, e a exclusão de alguns itens da medida, como aviões da Embraer e suco de laranja, são resultados de um esforço que envolveu, principalmente, diplomatas e empresários brasileiros e americanos. A ideia era tentar rever o quadro de politização de uma questão comercial, que começou no início deste mês.

 

Essa politização começou no último dia 9, em uma carta de Trump dirigida ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na correspondência — devolvida ao governo americano no mesmo dia pelo Itamaraty, por ter sido considerada inaceitável — o líder dos EUA relacionava o tarifaço ao que chamou de perseguição do ex-presidente Jair Bolsonaro. O mandatário americano também citou a regulação das big techs e disse, de forma equivocada, que o Brasil tem superávit no intercâmbio de bens com seu país.

 

Um ponto de destaque, que foi comemorado nesta quarta-feira por integrantes do Palácio do Planalto e do Itamaraty, foi o encontro entre o chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado americano, Marco Rubio.

Desde que o chefe da diplomacia dos EUA assumiu o posto, Vieira tentava um contato, tendo em vista a densa agenda nas relações entre Brasil e EUA. Somente ontem essa reunião aconteceu, o que indica que os canais com Washington estão reabertos no campo diplomático.

Empresários brasileiros afirmam que o momento é de intensificar os contatos nos EUA, para protegerem suas exportações. Além de contatos com parlamentares republicanos, do partido de Trump, o próximo passo é buscar o apoio de governadores em que estados que serão afetados pelo encarecimento dos insumos importados do Brasil.

 

Com apoio das indústrias americanas, os empresários brasileiros vão reiterar que o Brasil exporta mais produtos primários e insumos para os EUA e, por isso, não há competição. Dirão que há investimentos importantes naquele país, que máquinas e equipamentos sobretaxados não poderiam ser enviados a curto prazo para outros mercados e que pelo menos um terço do comércio entre Brasil e EUA se dá entre as mesmas companhias.

 

Para integrantes do governo Lula, o cenário é incerto. Existe a expectativa de Trump continuar tentando interferir nas decisões do Judiciário brasileiro, apesar de Lula dizer, repetidas vezes, que o Brasil é soberano e tem poderes independentes.

 

A atual percepção é que os EUA querem mais do que dificultar o comércio. Além de terem acesso a minerais críticos e estratégicos, como lítio, nióbio e terras raras, a Casa Branca abriu uma investigação sobre práticas comerciais no Brasil, sujeitas à elevação de tarifas como punição, que atingem o sistema de pagamentos instantâneos brasileiros largamente utilizado no país, que é o Pix.

 

 

Governo libera R$ 15,9 bilhões para ministérios e R$ 4,7 bilhões para emendas após alta nas receitas

FOLHA DE SP

 

O governo federal detalhou nesta quarta-feira (30) a liberação de R$ 20,7 bilhões do Orçamento que estavam congelados para cumprir regras fiscais, medida que dará alívio aos ministérios e vai destravar uma parte das emendas parlamentares, verbas usadas pelos congressistas para bancar ações em seus redutos eleitorais.

O governo liberou R$ 15,9 bilhões para despesas discricionárias (investimentos e custeio de atividades administrativas) dos ministérios e R$ 4,7 bilhões para gastos com emendas parlamentares.

Do total congelado, foi mantido o bloqueio de R$ 10,7 bilhões em despesas discricionárias para o atendimento de despesas obrigatórias. O Ministério do Planejamento também anunciou que adotou medidas de faseamento que limitam o empenho em R$ 52,8 bilhões até setembro para garantir o cumprimento da meta fiscal e os limites do arcabouço fiscal.

A liberação parcial, segundo a pasta, ocorreu porque houve melhora na projeção de receitas líquidas, com alta de R$ 25,4 bilhões puxada por receitas como exploração de recursos naturais (R$ 17,9 bilhões) e no Imposto de Renda (R$ 12,2 bilhões). O aumento das despesas obrigatórias com créditos extraordinários e benefícios assistenciais exigiu a manutenção de parte da contenção.

As pastas mais beneficiadas pelo descontingenciamento são o Ministério das Cidades (R$ 1,93 bilhão), da Defesa (R$ 1,92 bilhão), da Saúde (R$ 1,71 bilhão), do Desenvolvimento e Assistência Social (R$ 1.694 bilhão), dos Transportes (R$ 1,37 bilhão) e da Fazenda (R$ 1,124 bilhão).

O chamado faseamento é uma espécie de contenção preventiva dos limites de gastos para os ministérios, com liberação gradual até o fim do ano. Pelo novo decreto, os limites de empenho fixados para os órgãos são distribuídos em três fases: setembro, novembro e dezembro.

Até setembro, haverá um limite de empenho de R$ 52,8 bilhões, além do bloqueio de R$ 10,7 bilhões. Em novembro, o limite cai para R$ 31,3 bilhões e, em dezembro, é zerado.

"O governo mantém as medidas de restrição refletidas no faseamento dos limites de empenho dos órgãos e seguirá monitorando a execução orçamentária e financeira, nos termos da legislação em vigor, adotando as medidas necessárias para garantir o atendimento do resultado fiscal do exercício", disse a pasta.

ENTENDA A DIFERENÇA ENTRE BLOQUEIO E CONTINGENCIAMENTO

O novo arcabouço fiscal determina que o governo observe duas regras: um limite de gastos e uma meta de resultado primário (verificada a partir da diferença entre receitas e despesas, descontado o serviço da dívida pública).

Ao longo do ano, conforme mudam as projeções para atividade econômica, inflação ou as próprias necessidades dos ministérios para honrar despesas obrigatórias, o governo pode precisar fazer ajustes para garantir o cumprimento das duas regras.

Se o cenário é de aumento das despesas obrigatórias, é necessário fazer um bloqueio.

Se as estimativas apontam uma perda de arrecadação, o instrumento adequado é o contingenciamento.

Como funciona o bloqueio
O governo segue um limite de despesas, distribuído entre gastos obrigatórios (benefícios previdenciários, salários do funcionalismo, pisos de saúde e educação) e discricionários (investimentos e custeio de atividades administrativas).

Quando a projeção de uma despesa obrigatória sobe, o governo precisa fazer um bloqueio equivalente nas discricionárias para honrar todas as obrigações sem descumprir o limite global de gastos.

Como funciona o contingenciamento
O governo segue uma meta fiscal, que mostra se há compromisso de arrecadar mais do que gastar (superávit) ou previsão de que as despesas superem as receitas (déficit). Neste ano, o governo estipulou uma meta zero, que pressupõe equilíbrio entre receitas e despesas, com margem de tolerância de 0,25% do PIB para mais ou menos.

Como a despesa não pode subir para além do limite, o principal risco ao cumprimento da meta vem das flutuações na arrecadação. Se as projeções indicam uma receita menos pujante, o governo pode repor o valor com outras medidas (desde que tecnicamente fundamentadas) ou efetuar um contingenciamento sobre as despesas.

Pode haver situação de bloqueio e contingenciamento juntos?
Sim. É possível que, numa situação de piora da arrecadação e alta nas despesas obrigatórias, o governo precise aplicar tanto o bloqueio quanto o contingenciamento. Nesse caso, o impacto sobre as despesas discricionárias é a soma dos dois valores.

Fortaleza tem 314 mil à espera de eletrocardiograma e Prefeitura promete que postos ofertarão exame

 
 
 
 
 
Exame crucial para atestar a saúde cardíaca da população, o eletrocardiograma (ECG) tem, hoje, uma fila com cerca de 314 mil fortalezenses à espera por vaga para realizá-lo. Para reduzir o número, a Prefeitura de Fortaleza anunciou que todos os postos de saúde terão aparelhos de ECG ainda neste ano. O anúncio foi feito pelo prefeito Evandro Leitão, na manhã desta segunda-feira (28), no Paço Municipal, durante evento de divulgação do programa “Saúde Que Cuida”, um dos eixos do Fortaleza Inclusiva, plano municipal que envolve diversas áreas de atuação. 

A secretária municipal de Saúde, Riane Azevedo, afirma que, dessa forma, o eletrocardiograma poderá ser feito assim que houver solicitação do médico, na própria unidade básica. O laudo será emitido de forma online.

Para isso, a gestora afirma que técnicos de enfermagem serão treinados para realizar o procedimento. Não foi informado um cronograma ou prazo para a oferta dos ECGs nos postos ser iniciada.

Com o laudo do ECG em mãos, então, os médicos dos postos de saúde podem realizar o atendimento inicial dos pacientes. Caso seja identificada alguma patologia, será feito o encaminhamento para um cardiologista, explica Riane. 

A ideia, reforça a secretária, é não sobrecarregar a assistência especializada, além de conferir maior celeridade no atendimento à demanda do usuário da atenção primária.

Novos postos de saúde

Além da aquisição de equipamentos, o "Saúde Que Cuida" inclui reformas estruturais em 87 postos de saúde, 25 a serem entregues ainda neste ano. Entre as unidades a serem requalificadas estão:

  • Floresta/CEO, no bairro Álvaro Weyne;
  • Maciel de Brito, no Conjunto Ceará 1ª etapa;
  • Quatro Varas, no bairro Pirambu;
  • Guiomar Arruda, no Pirambu;
  • Odorico de Morais, no Pirambu.

Para dar conta das ampliações, a Prefeitura projeta a seleção de novos gestores das UBS e o chamamento de 411 profissionais da extinta Fundação de Apoio à Gestão Integrada em Saúde de Fortaleza (Fagifor), que serão distribuídos entre postos e hospitais.

O QUE É O ECG, COMO É FEITO E PARA O QUE SERVE

exame médico registra a atividade elétrica do coração, auxiliando a descoberta de doenças cardíacas como infarto do miocárdio, arritmias cardíacas e hipertensão arterial. O infarto é a segunda principal causa de morte entre os cearenses, conforme o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. 

O eletrocardiograma é um exame médico registra a atividade elétrica do coração, auxiliando a descoberta de doenças cardíacas como infarto do miocárdio, arritmias cardíacas e hipertensão arterial. 

O infarto é a segunda principal causa de morte entre os cearenses, conforme o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. 

Rápido, indolor e não invasivo, ele utiliza eletrodos nos braços, pernas e tórax da pessoa que medem magnitude e a direção das correntes elétricas no coração durante cada batimento cardíaco. A realização do exame dura cerca de 3 minutos. 

Esse exame pode detectar se o coração está batendo muito rápido (taquicardia), muito lento (bradicardia) ou de forma irregular (arritmia); e se não está recebendo oxigênio suficiente devido a bloqueio nas artérias (infarto ou angina).

Dessa forma, ele é essencial para monitorar os pacientes que possuem doenças cardíacas e rastrear pessoas assintomáticas durante exames de rotina. 

Escrito por
e

 / DIARIONORDESTE

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ministro é oportunista sobre autoescolas e acha que está 'na fazenda dele', diz chefe de federação

Marcos Hermanson / FOLHA DE SP

 

proposta de eliminar a obrigatoriedade das aulas práticas e teóricas para obtenção da carteira de habilitação foi classificada pelo presidente da Feneauto (Federação Nacional das Autoescolas), Ygor Valença, como um oportunismo do ministro Renan Filho (Transportes). A entidade promete questionar na Justiça a medida, caso ela se concretize.

O governo Lula (PT) quer acabar com a obrigatoriedade da autoescola para obtenção da carteira de motorista, como revelou a Folha nesta terça-feira (29). Renan Filho relatou o plano ao C-Level Entrevista, videocast semanal.

O dirigente da Feneauto diz que a medida não foi debatida e deveria passar pela consulta da sociedade por meio das instâncias do próprio ministério.

"Não sentaram com a gente. Não dialogaram, não propuseram nada. Estranho por ser um governo democrata, de esquerda", diz. "Renan pensa que está na fazenda dele."

"Isso vindo por resolução, nós vamos judicializar. Ele é ministro, tem a autonomia de propor, mas queremos a ampla discussão da sociedade, com médicos, prefeitos, gestores dos Detrans", completa.

O ministro dos Transportes defendeu, na entrevista, que as aulas práticas e teóricas que precedem o exame para obtenção da carteira de habilitação sejam facultativas.

"O Brasil é um dos poucos países no mundo que obriga o sujeito a fazer um número de horas-aula para fazer uma prova", disse o ministro, citando custos de R$ 4.000 a R$ 6.000 para obter o documento, a depender do estado.

"A autoescola vai permanecer, mas ao invés de ser obrigatória, ela pode ser facultativa." Segundo Renan, a proposta já foi concluída pela pasta e será levada para aprovação do presidente Lula. Pelos seus cálculos, o plano poderia reduzir em 80% os custos de obtenção da CNH.

Segundo a proposta do ministério, o candidato poderia assistir às aulas teóricas presencialmente, nas autoescolas, à distância, em empresas credenciadas, em escolas públicas de trânsito dos Detrans ou em formato digital oferecido pela Secretaria Nacional de Trânsito.

As aulas práticas também se tornariam optativas, podendo ser conduzidas em autoescolas ou com instrutores autônomos, contratados inclusive por meio de plataforma online. O ministério defende que a proposta democratizaria o acesso à CNH e reduziria o número de condutores não habilitados –hoje em 20 milhões.

Em nota publicada nesta tarde, a Associação Nacional dos Detrans (AND) levantou dúvidas sobre o projeto, pedindo que qualquer mudança preserve a qualidade da formação dos motoristas.

"Defendemos que a formação de condutores deve priorizar a segurança viária e contribuir efetivamente para a redução dos índices de sinistros e mortes no trânsito", escreveu a AND. "A educação no trânsito salva vidas e deve ser tratada como prioridade absoluta em qualquer política pública relacionada à mobilidade".

Valença, da Feneauto, questiona os dados apresentados pelo ministro Renan Filho. "Em Alagoas, que é o estado em que ele foi governador, os custos com autoescola são de R$ 900", afirma.

No tema da popularização da CNH, ele cita a sanção, em junho, de lei que cria a CNH gratuita para baixa renda e destina parte dos recursos arrecadados com multas de trânsito para a formação de condutores. A proposta teve apoio da Feneauto.

"São 30 mil empresas de autoescola, 320 mil empregos, todos de carteira assinada, 450 mil veículos de frota, o impacto é gigantesco", diz, citando também um possível aumento de índices de mortes no trânsito e impacto no SUS.

"Isso me parece mais fogo amigo", afirma Valença. "Pareço que vou dar carteira, mas jogo uma bomba no colo do presidente. O governo Lula está refém de ministérios, infelizmente. Cada ministério faz o que quer."

O Ministério dos Transportes nega que o fim da obrigatoriedade das aulas acarretaria em maior número de sinistros. "Não há evidência de que a obrigatoriedade de aulas em CFC esteja diretamente relacionada à segurança no trânsito. Pelo contrário: a formalização do processo reduz a informalidade e aumenta a fiscalização."

A pasta diz que as autoescolas continuarão a existir, competindo com instrutores autônomos, e que algumas regras sobre infraestrutura física serão flexibilizadas, permitindo que os CFC se adaptem e ofereçam serviços personalizados, com foco em qualidade e acessibilidade.


Como é e o que pode mudar para tirar CNH

Categorias A (motos) e B (carros de passeio)

Qualificação

  • Ter 18 anos ou mais
  • Ser penalmente imputável
  • Saber ler e escrever
  • Possuir documento de identidade e CPF

Etapas

  • Avaliação psicológica e exame de aptidão física e mental
  • 45 horas de aulas teóricas em autoescolas
  • Exame teórico
  • 20 horas de aulas práticas em autoescolas
  • Exame de prática de direção veicular

Custo (valores em SP)

  • Taxa de exame prático: R$ 50,90
  • Taxa de exame teórico: R$ 50,90
  • Taxa de emissão da PPD (Permissão para Dirigir): R$ 133,17
  • Exame médico: R$ 122,17
  • Avaliação psicológica: R$ 142,53
  • Aulas práticas e teóricas: valor varia conforme cada autoescola

Proposta do governo

  • Fim da exigência de aulas teóricas e práticas em autoescolas
  • Candidato poderá estudar para o exame teórico como quiser
  • Prática poderá ser feita com instrutores autônomos certificados pelos Detrans
  • Aprovação nos exames e cumprimento das demais exigências seria suficiente para obter CNH

Fonte: Resolução nº 789/2020 do Conselho Nacional de Trânsito e Poupatempo de SP

AUTOESCOLA SERÁ O FIM PELO GOVERNO LULA

No palanque, desarmado, Lula desdenha, ironiza e vê a derrota arrasadora das tarifas chegando

Por Eliane Cantanhêde / O ESTADÃO DE SP

 

Ao dizer, quatro dias antes do “dia D”, que vai esperar a sexta-feira para decidir sobre medidas de socorro aos setores e empresas mais duramente atingidas pelo tarifaço de Donald Trump, o presidente Lula deixou uma pergunta que não quer calar: o que ele está esperando? O resultado de alguma negociação sigilosa? Um recuo nos 50%, que Trump nega? Ou simplesmente o tsunami chegar?

 

Lula não desce do palanque, e não para de fazer provocações e ironias contra Trump e os EUA, desde que a Genial/Quaest detectou que a popularidade dele subiu e a de Jair Bolsonaro caiu com a ameaça de tarifaço e as cartas mal-ajambradas do presidente norteamericano. Logo, uma segunda dúvida é onde Lula quer chegar. À sexta-feira, com uma negociação bem-sucedida, ou às eleições de 2026, numa posição confortável? Uma coisa pode estar condicionada à outra…

Enquanto o chanceler Mauro Vieira, o vice Geraldo Alckmin, empresários brasileiros e americanos e a comissão de senadores que foi aos EUA conversam muito, articulam muito, não se vê um único sinal, à luz do dia, de que haja reais negociações e, portanto, chances de reduzir os 50%.

 

Essas negociações e chances deveriam ser até naturais, já que esse percentual é mais que o dobro na guerra de Trump contra o mundo, e o Brasil, apesar de estar no topo das sanções, é deficitário no comércio com os EUA, como Lula está rouco de tanto repetir. Em tese, o tarifaço é para superavitários, não para deficitários.

 

Se seriam tão naturais, por que inexistem negociações e ninguém acredita em recuo, por mais que Trump, que é um jogador, venha sempre baixando as tarifas no “dia D” com os demais países? Porque a birra com o Brasil não é por causa de comércio, mas sim de política: o processo contra Bolsonaro, bigtechs, o apoio de Lula a Kamala Harris, a camaradagem de Lula com China e Rússia, o Brics como adversário de Washington…Em sendo assim, nem Trump quer ceder, nem Lula age diplomaticamente. As portas e os ouvidos se fecham.

 

Antes de ir para Nova York, numa derradeira busca de pragmatismo e bom senso, Mauro Vieira enviou um embaixador aos EUA para abrir canais. Até a noite de segunda-feira, porém, não havia motivos para comemoração, só para preocupação com o PIB, os exportadores, os produtos e os empregos.

 

Os 50% são arrasadores e estão chegando, com Lula saltitante, em campanha, e o Brasil cara a cara com uma derrota que vai lhe custar muito caro. Na reta final, o único consolo é que sexta-feira não será o fim do mundo. A guerra continua e há muito o que negociar, se Trump e Lula adotarem o tom e a disposição de estadistas que não tiveram te agora. É possível? Só vai se saber depois do “dia D”.

Foto do autor
Opinião por Eliane Cantanhêde

Comentarista da Rádio Eldorado, Rádio Jornal (PE) e da GloboNews

De vale-gás a crédito para reforma de moradias, Lula prepara pacotão eleitoral que mira classe média e periferia

Por  — Brasília / O GLOBO

 

O Palácio do Planalto prepara um pacotão de programas sociais para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançar no segundo semestre, a um ano da eleição, quando o petista pretende concorrer ao quarto mandato. O arsenal inclui a remodelagem do vale-gás, crédito para reforma de moradias e auxílio para motoboys e motoristas de aplicativos trocarem seus veículos. As medidas buscam ampliar o apoio a Lula na classe média e nas periferias.

 

De olho na corrida eleitoral, Lula tem reservado as quintas e sextas para viajar o país e divulgar ações do governo, em contato mais próximo com a população. Auxiliares defendem que ele use esta fórmula para lançar, na primeira quinzena de agosto, o programa Gás para Todos, que deve beneficiar 16,6 milhões de famílias. Apresentada por meio de Medida Provisória, a iniciativa deve substituir o Auxílio Gás atual, que contempla 5,4 milhões de famílias e é pago junto com o Bolsa Família.

 

O novo modelo terá um cartão próprio para retirada de botijões. O custo total estimado é de R$ 2,6 bilhões neste ano e R$ 5 bilhões em 2026.

 

Durante as viagens pelo país para os lançamentos, Lula tem acentuado o tom eleitoral das falas, com críticas mais agudas ao ex-presidenteJair Bolsonaro. O entorno do presidente avalia que o governo ganhou fôlego com o discurso de “justiça tributária” e a reação ao tarifaço americano de 50%, mas que agora o “modo campanha” precisa incluir ações com efeito prático no cotidiano do eleitorado.

 

Nessa nova fase, o foco de Lula é tentar ampliar seu apoio na classe média, vista pelo Planalto como um estrato pendular, que ora apoia o governo, ora vota na oposição. Segundo pesquisa Quaest divulgada neste mês, 43% dos eleitores com renda mensal entre dois e cinco salários mínimos avaliam o governo Lula positivamente — eram 39% em junho —, enquanto 52% têm percepção negativa. Auxiliares do presidente frisam, por outro lado, que é importante que as ações do governo não se distanciem da população mais pobres e de periferia, tradicional base eleitoral de Lula.

 

O pacotão do governo inclui um programa de financiamento para compra de motocicletas e carros por entregadores e motoristas de aplicativos, que deve ser lançado em agosto. A categoria é vista por aliados de Lula como majoritariamente favorável a Bolsonaro, e apresentou resistências a uma tentativa anterior da gestão petista de regulamentar o setor.

 

A nova iniciativa de crédito foi desenhada pelo Ministério de Desenvolvimento Social, gestor de um fundo que permite financiamento de até R$ 10 bilhões para micro e pequenos empreendedores, no programa Acredita. Os detalhes finais do projeto estão sob análise da Casa Civil.

 

— Esses trabalhadores têm um custo que reduz sua capacidade de renda, com aluguel da moto e equipamentos. Boa parte dos entregadores e motoristas de aplicativo estão na base do Cadastro Único e no Bolsa Família — afirma o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias (PT).

 

Em outra frente, esta mirando a classe média, o Ministério das Cidades trabalha em um programa de reformas de moradias com duas linhas de financiamento, em faixas de até R$ 5 mil e de até R$ 30 mil. Há dúvidas, porém, sobre de onde tirar a verba necessária.

 

Modo ‘urgência’

 

Auxiliares de Lula afirmam que o presidente está no modo “urgência”, e que os ministérios da Saúde e da Educação são os mais pressionados a acelerar inaugurações. A orientação é que cada lançamento seja informado ao Planalto, para uma avaliação sobre a presença do presidente no evento.

 

Nos primeiros meses de 2025, um dos programas que ganhou fôlego foi o Agora Tem Especialistas, do Ministério da Saúde. O governo tem usado clínicas privadas para acelerar exames e cirurgia pelo SUS. Apesar de os programas sociais serem a principal aposta do governo, especialistas avaliam que seu impacto pode ser limitado na eleição: — O eleitor está mais exigente. Em relação às políticas sociais, ele parece acreditar que o governo não faz mais do que sua obrigação, e deixou de ter medo de perder os programas com uma eventual derrota de Lula — afirma o cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest.

 

Apostas para alavancar a imagem de Lula

Gás para Todos: A iniciativa prevê o pagamento de uma ajuda financeira para a compra de botijões de 13kg considerando o número de integrantes da família. Vai substituir o Auxílio Gás atual.

 

Motoristas de app: Lula também prepara um programa de financiamento para compra de motos e carros por entregadores e motoristas de aplicativos. O programa deve ser lançado em agosto.

 

Moradias: O Ministério das Cidades trabalha em um programa de reformas de moradias que prevê duas linhas de financiamento: uma de até R$ 5 mil por família para pequenas obras e outra de até R$ 30 mil.

Pressionado pelos EUA, Lula também enfrenta fogo amigo

EDIORIAL DA FOLHA DE SP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colhe os frutos da armadura nacionalista que envergou quando Donald Trump escolheu o Brasil como alvo de sua mais recente agressão externa.

Irracional do ponto de vista econômico, as sobretaxas de 50% sobre importações brasileiras, que entram em vigor a partir de 1º de agosto, são justificadas pelo republicano a partir da política.

Se é evidente o desgosto com o antiamericanismo pueril do governo Lula e os interesses contrariados das big techs, o selo do tarifaço tem nome: Jair Bolsonaro (PL). Trump conectou sua ação com o discurso de que o ex-presidente é um perseguido por ser julgado pela trama golpista.

O presente retórico para o petista não poderia ser maior, ainda que esteja claro o risco do impacto de longo prazo das medidas sobre a economia.

Ademais, vêm da banda ideológica do lulismo novos lembretes acerca de problemas para a busca pela reeleição em 2026.

Na sexta (25), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) completou uma invasão coordenada a sedes do Incra, órgão responsável por gerenciar a reforma agrária, que mobilizou 17 mil pessoas ao longo da semana.

As imagens reprisavam um filme em cartaz desde os anos 1990, quando o campo vivia em outra era geológica em termos de estrutura produtiva. Gente de vermelho invadindo prédio público é um prato cheio para a propaganda da direita nas redes sociais.

Algo similar havia acontecido quando o governo lançou o "nós contra eles" na crise com o Congresso acerca do IOF e um grupo de sem-teto invadiu um prédio do banco Itaú em São Paulo.

Ali, o sinal amarelo acendeu. O ato apoiado por Guilherme Boulos (PSOL-SP) custou ao deputado federal um cargo no Planalto —outra situação na qual a radicalidade do político lhe tolhe pretensões, como em duas eleições para prefeito na capital paulista.

Com os sem-terra, Lula buscou conter danos, chamando lideranças para conversar. No entanto o sinal de descontrole das franjas de sua base é evidente.

Algo também visto na relação com a antiga aliada Venezuela. Desde que vetou a entrada do país no Brics, em 2024, Lula passou a ser tratado como adversário pela ditadura de Nicolás Maduro.

O azedume se intensificou na sexta, quando venezuelanos imitaram Trump e taxaram importações do Brasil, rompendo tratado de 2014. Confrontado, o país diz ter voltado atrás e deu como desculpa um problema técnico. Mas só foram reforçadas as dificuldades de Lula mesmo na esquerda.

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