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Queda de juros a conta-gotas

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

A continuarem os sinais de desaceleração da economia e da inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) manterá a estratégia de cortar a taxa básica de juros a conta-gotas. Eis, resumidamente, o principal recado da ata divulgada nesta semana, na qual os membros do comitê justificaram a decisão unânime por meio da qual reduziram a Selic em 0,25 ponto porcentual, para 13,75% ao ano.

 

De fato, há sinais de que os juros têm conseguido conter a atividade e a demanda. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,5% no segundo trimestre, bem menos que o 1,1% registrado nos três primeiros meses do ano. Componentes mais sensíveis aos juros, como o setor de serviços e a indústria, tiveram alta de 0,2% e 0,1%, respectivamente, enquanto o consumo das famílias caiu 0,4%. No acumulado de 12 meses, o crescimento foi de 1,9%, e o próprio Ministério da Fazenda reviu nesta semana sua estimativa para o crescimento da economia de 2,3% para 2%.

 

A exemplo do comunicado, a ata foi uma reedição do documento anterior, inclusive com a reprodução de trechos idênticos. Mas as poucas mudanças reforçaram a leitura de um cenário econômico mais fraco, muito embora o governo jogue no sentido contrário e dificulte sobremaneira a convergência da inflação à meta, como o próprio BC reconheceu.

 

O crédito livre, que é negociado entre instituições financeiras e clientes e reflete a política monetária mais apertada do Banco Central, teve redução nas modalidades de mais longo prazo e desaceleração nas linhas emergenciais e de curto prazo. Já o crédito direcionado, com juros mais baixos, subsidiados e/ou bancados por fundos garantidores, continuou a crescer, reflexo das medidas eleitoreiras lançadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos últimos meses, tanto para pessoas físicas quanto para empresas.

 

Como se imaginava, a ata deixou em aberto os próximos passos do Banco Central, a depender da evolução dos indicadores nas próximas seis semanas. Isso, no entanto, foi suficiente para que a maioria do mercado passasse a prever juros um pouco mais baixos, ainda que as projeções de inflação para este ano, 2027 e 2028 estejam invariavelmente acima do centro da meta.

 

Após a divulgação do documento, 19 das 33 casas consultadas pelo Projeções Broadcast passaram a apostar que a Selic sofrerá dois novos cortes de 0,25 ponto porcentual nas reuniões de novembro e dezembro e cairá para 13,25% ao ano. Oito apostam em manutenção dos juros em 13,75% ao ano, e seis projetam mais um corte de 0,25 ponto porcentual, o que levaria a taxa a 13,50% ao ano até o fim de 2026.

 

Até lá, muita coisa pode mudar, a começar pelo câmbio, tendo em vista que os bancos centrais nos Estados Unidos, na Europa e no Japão aumentaram os juros nos últimos dias, reduzindo o diferencial que atrai investidores estrangeiros para o País.

 

Ademais, o próximo presidente da República já terá sido escolhido. Sinalizações claras sobre a adoção – ou não – de um ajuste fiscal, um debate impopular e que tem sido intencionalmente ignorado pelos candidatos, serão cruciais.

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