Escola tem de oferecer educação financeira
Por Editorial / o globo
O anúncio da nova versão do programa Desenrola, destinado a renegociar toda sorte de dívidas em condições camaradas, chamou a atenção para um aspecto determinante para o endividamento do brasileiro. As dívidas acumuladas no cartão de crédito, a facilidade com que se aceitam condições de refinanciamento em aplicativos ou prestações a perder de vista — desde que “caibam no salário” — resultam não apenas dos estímulos artificiais dados por um governo interessado em inflar o consumo e a sensação de bem-estar da população por interesse eleitoral. Decorrem também da dificuldade de entender conceitos triviais de aritmética e finanças, como juros compostos ou remuneração da poupança. Os mercadores do crédito fácil, que leva ao endividamento de 80% das famílias, se aproveitam das deficiências de formação do brasileiro para levar vantagem.
Diante disso, passou da hora de a disciplina de educação financeira, incluída na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) como matéria optativa, tornar-se obrigatória no ensino básico. Todo cidadão precisa dispor dos instrumentos aritméticos mínimos para avaliar condições de financiamento — e esse é o tipo de conhecimento que se aprende na escola. Se o brasileiro fosse educado desde cedo a fazer contas antes de agir por impulso, é certo que o endividamento teria escala bem menor.
Ainda que o Brasil fosse um país de alta renda, deveria tratar de fornecer à população os instrumentos elementares de educação financeira. É assim na Dinamarca, na Bélgica e no Canadá, países onde os estudantes de 15 anos têm mais conhecimento sobre as finanças do cotidiano, pelos critérios da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Numa relação de 21 países avaliados em 2022, o Brasil apareceu em 19º lugar, acima apenas de Arábia Saudita e Malásia. Estamos abaixo de Costa Rica, Peru e Bulgária.
Essa deficiência ficou exposta nos últimos anos por um dado singelo: de 2016 a 2024, o contingente de jovens de 15 a 29 anos com acesso a crédito dobrou, de 13,7 milhões para 27,6 milhões, de acordo com o Banco Central. Desses, 70% ganhavam até dois salários mínimos. Sem conhecimento básico de finanças pessoais e diante da grande oferta de cartões e limites de financiamentos pré-aprovados, sempre a juros altíssimos, o risco de descontrole é enorme. “Antigamente, o jovem entrava nesse ciclo quando conseguia o primeiro emprego formal, e o gerente liberava um cartão com limite baixo. Hoje, o crédito chega antes da renda”, diz Henrique Castro, professor de finanças da FGV EESP.
Noções de gestão do próprio salário e dos próprios recursos devem ser ensinadas desde cedo. A população precisa estar bem informada sobre as alternativas de crédito disponíveis, suas vantagens, custos e riscos. E também sobre o valor de poupar e os instrumentos disponíveis para isso. Deve-se incutir na sociedade o conceito de que crédito é antecipação de renda futura, e não aumento do poder de compra no presente. É uma lástima que o governo insista em programas como o Desenrola, que punem o bom pagador e premiam o endividamento irresponsável. Em vez disso, deveria entender que a escola é o melhor lugar para ensinar que dívidas têm limites — e tornar a educação financeira disciplina obrigatória.
TSE na escuridão
Em 20 de outubro de 2022, dez dias antes do segundo turno do pleito daquele ano, o Tribunal Superior Eleitoral aprovou resolução que ampliou o poder de polícia da corte para o combate ao que fosse considerado desinformação.
O presidente do TSE, à época o ministro Alexandre de Moraes, poderia agir de ofício para remover conteúdos e suspender temporariamente contas de usuários de redes sociais. Até então, era necessário pedido do Ministério Público ou de candidatos; com a medida, denúncias de cidadãos já eram suficientes.
A resolução era problemática desde o início, dado o potencial impacto à liberdade de expressão, um pilar da democracia que o tribunal deveria proteger.
Decisões da corte naquelas eleições, como a censura a um vídeo da produtora Brasil Paralelo e a reportagens dos veículos Gazeta do Povo e O Antagonista, deram razão de ser aos temores.
Para piorar, as ações desencadeadas pela medida careceram e ainda carecem de transparência básica.
Até hoje, a cinco meses de novas eleições gerais, não se sabe quantas postagens e contas foram removidas ou suspensas com base nas regras de 2022. Também não são conhecidos os critérios que mantêm os processos dessa atuação sob sigilo.
Em 2024, uma comissão do Congresso dos Estados Unidos divulgou decisões sigilosas de Alexandre de Moraes relativas ao bloqueio de perfis online. Segundo o relatório, desde 2022, 150 perfis na rede social X haviam sido removidos —as decisões foram obtidas a partir de intimação parlamentar feita ao X.
Como mostrou a Folha, 22 dos 25 processos do TSE citados no relatório não têm registro na consulta pública do tribunal, e a maioria não apresenta movimentação no Diário Judicial Eletrônico.
O jornal pediu, em duas ocasiões, o acesso a informações gerais (o total de postagens e contas removidas ou suspensas com base na resolução de 2022).
Em 2023, o TSE não as forneceu, alegando segredo de Justiça —apesar de o pedido ter se restringido a números. Em abril deste ano, o tribunal disse que não possui "categorização quantitativa ou qualitativa de links, canais e/ou grupos removidos".
Fere-se, assim, o princípio da transparência, que garante o necessário escrutínio dos atos públicos pelos cidadãos.
Causa espécie, ainda, que o TSE não monitore decisões oriundas de resolução recente que impactam um direito fundamental. Tal medida técnica é crucial para avaliar resultados e evitar erros na campanha deste ano.
Distribuição de renda depende de ação social mais eficiente
Mesmo com o desemprego em patamares historicamente baixos, na casa dos 5,5% ao longo de 2025, a desigualdade de renda voltou a subir no Brasil no ano passado. Os dados da pesquisa domiciliar do IBGE mostram que o índice de Gini do rendimento domiciliar per capita passou de 0,504 em 2024 para 0,511, numa escala em que 1 é desigualdade máxima.
O número segue sendo o segundo menor da série histórica iniciada em 2012 e bem abaixo do pico de 0,545 registrado em 2018, mas serve de alerta mesmo assim.
A renda domiciliar per capita avançou 6,9%, para R$ 2.264 mensais —novo recorde da série. O ganho, porém, foi maior no topo: os 10% mais ricos viram sua renda subir 8,7%, para R$ 9.117, enquanto os 10% mais pobres obtiveram alta de apenas 3,1%, para R$ 268.
A razão entre os rendimentos dos 10% mais ricos e os 40% mais pobres ficou em 13,8 vezes, ligeiramente pior que as 13,2 vezes de 2024. O nível atual de concentração, embora melhor que o do pré-pandemia, expõe a insuficiência dos mecanismos oficiais de transferência de renda como ferramenta para redução continuada da desigualdade social.
Mesmo com a parcela da população com rendimentos do trabalho tendo chegado a 47,8%, a maior da série histórica, o IBGE aponta que 13,8% (29,3 milhões de pessoas) dependeram de aposentadorias e pensões por morte, enquanto programas assistenciais, como o Bolsa Família e o BPC, atenderam 9,1% da população (19,4 milhões de brasileiros).
Na soma geral, o país aporta perto de 13% do PIB em aposentadorias e transferências, montante substancialmente maior que o padrão de países em patamar similar de desenvolvimento.Em contrapartida, há pressão sobre as contas públicas, com endividamento crescente, o que contribui para os juros altos e restringe o espaço para investimentos públicos e privados.
As disparidades são ainda maiores quando se consideram medidas mais amplas que a renda domiciliar declarada na pesquisa. Análises baseadas em dados do Imposto de Renda revelam que os estratos mais ricos capturam proporções ainda maiores de ganhos com aluguéis, aplicações financeiras e dividendos. O fosso se aprofunda quando se tem em conta o elevado endividamento das famílias, que atinge os mais pobres, uma consequência direta dos juros elevados, que perpetuam o círculo vicioso de baixa produtividade e concentração de renda.
Diante dos limites orçamentários, é preciso buscar maior focalização dos programas sociais. As aposentadorias, impulsionadas pelo crescimento do salário mínimo acima da inflação, já não concentram recursos nos estratos mais vulneráveis. A difícil redução da pobreza e da desigualdade dependerá de uma combinação de crescimento econômico saudável, o que passa por reequilíbrio fiscal, e maior eficiência do vasto aparato de seguridade instituído no país.
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Investigadores revisitam traumas da Lava-Jato para tentar não repetir erros no caso Master
Por Malu Gaspar e Rafael Moraes Moura — Rio e Brasília / O GLOBO
O flagra da conversa entre o advogado de Daniel Vorcaro, José Luis Oliveira Lima, e o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Floriano de Azevedo Marques, amigo do ministro do ministro do Supremo Alexandre de Moraes, logo após entregar a proposta de delação resgatou na memória dos investigadores um dos episódios mais marcantes da Lava-Jato: a cena do encontro furtivo do então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, com o advogado Pierpaolo Bottini, responsável pela defesa do delator Joesley Batista.
A cena mais recente, que ocorreu no restaurante de um hotel e foi registrada numa foto divulgada pelo Estadão, foi comparada nos últimos dias por investigadores à imagem de Janot e Bottini em 2017 como exemplo de uma derrapada com potencial de prejudicar o andamento das apurações.
A diferença é que, enquanto a primeira pode ser usada para desmoralizar a delação de Vorcaro, por levantar especulações sobre se Moraes não teria usado o amigo de 40 anos para tentar monitorá-la, a reunião do PGR de então com o advogado de Joesley é até hoje lembrado como um erro que abalou a credibilidade da Lava-Jato e que deve ser evitado a todo custo para que a apuração sobre o Master possa avançar.
O episódio traz à tona uma preocupação que vem sendo expressada com frequência por delegados e procuradores da República nos bastidores a interlocutores variados. Nessas conversas, eles dizem que os traumas da Lava-Jato têm que servir para que não repitam os mesmos erros.
A superexposição, no caso, é um desses traumas, e dos grandes. Ao contrário dos delegados e procuradores da Lava-Jato, que davam entrevistas a cada etapa da investigação, a recomendação agora é trabalhar longe dos holofotes, tanto que muitos dos integrantes da equipe são desconhecidos do público.
Outro trauma frequentemente citado é o que se costuma chamar internamente de “tsunami” de delações da época de Janot, que em sua gestão na PGR fechou mais de 100 acordos de colaboração premiada entre 2013 e 2017 – 77 só de executivos e ex-executivos da Odebrecht. Gonet, por sua vez, não fechou ainda nem uma só delação em sua gestão, o que deve mudar a partir de agora.
“Eles já avisaram que não vão admitir delação por delação, que tem de ter substância”, relatou um advogado que tenta emplacar um acordo com o aval da Procuradoria-Geral da República (PGR).
As acusações de direcionamento das delações que embasaram os pedidos de suspeição da Lava-Jato também são um trauma. Por isso, tanto os integrantes da PF como da PGR têm deixado claro aos advogados nas reuniões que não vão citar nomes de potenciais alvos para não serem acusados mais tarde de terem pedido ou forçado os delatores a entregar pessoas escolhidas a dedo.
Outro trauma, esse bilionário, é a negociação de multas parceladas. O grande exemplo é a multa fechada pela PGR com a J&F, de Joesley e Wesley Batista, que se comprometeu a pagar R$ 10,3 bilhões em 25 anos, mas depois, com o desmonte da Lava-Jato no STF, teve a multa suspensa pelo ministro Dias Toffoli. Em novembro do ano passado, a Justiça Federal de Brasília determinou que a multa fosse recalculada – nas contas da J&F, o valor deveria ficar na casa de R$ 1 bilhão.
Por isso, os investigadores fizeram uma espécie de pacto entre eles de não aceitar mais multas parceladas. Nas últimas semanas, a equipe de defesa de Vorcaro chegou a sinalizar reservadamente a disposição de pagar uma multa de R$ 40 bilhões ao longo de 10 anos, mas ao apresentar sua proposta de acordo, na semana passada, eles não incluíram uma cifra para negociação.
Segundo fontes ligadas ao caso relataram à equipe da coluna, Vorcaro apenas se comprometeu a revelar à PF e ao MPF o destino dos recursos ainda detidos por ele no Brasil e no exterior, direta ou indiretamente – ou seja, valores mantidos no seu nome e de suas empresas ou ocultos na conta de laranjas ou fundos obscuros.
Insatisfação
Nesta quarta-feira, o time jurídico do executivo Daniel Vorcaro entregou ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, a sua proposta de colaboração premiada. No dia seguinte, Mendonça autorizou uma operação policial que revelou que Vorcaro pagava uma mesada de até R$ 500 mil ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), uma das principais lideranças do Centrão no Congresso Nacional.
Os pagamentos a Ciro, que incluíam despesas com hotéis, restaurantes e viagens internacionais, no entanto, foram omitidos da proposta de Vorcaro. O ministro não está satisfeito com o material entregue pelo dono do Master e deve cobrar ajustes e mais informações, antes de decidir se valida ou não a delação.
Mendonça já deu sinais de que pretende fazer jogo duro não apenas com Vorcaro, mas com os demais potenciais delatores, avisando que só vai aceitar homologar acordos que efetivamente contribuírem com o aprofundamento das investigações, diante do farto material já extraído após a quebra do sigilo do dono do Master e dos outros alvos da apuração.
Em outro paralelo da Lava-Jato, Mendonça chefiou o Ministério da Justiça no governo Bolsonaro, entrando no lugar do ex-juiz federal Sergio Moro, que deixou o cargo no primeiro escalão após acusar o então presidente de interferência indevida em investigações da PF. Uma das principais preocupações de Mendonça é a de que o caso Master não tenha o mesmo fim da Lava-Jato, que acabou implodida pelo próprio STF.
Vereador tira tapioca do terno após colega trocar oposição pela base do prefeito em Ipueiras (CE)
O vereador Jefferson Morais (PSB) utilizou uma tapioca para acusar o também vereador Ailton de Sampaio (PT) de traição, durante a sessão da Câmara Municipal de Ipueiras, na região do Sertão de Crateús do Ceará, na última quinta-feira (7). O episódio ocorreu logo após o petista confirmar a entrada na base do prefeito Júnior do Titico (Republicanos).
O embate entre os parlamentares começou quando Ailton Sampaio anunciou, ainda no início da sessão, a mudança de lado, ao alegar um acordo com o chefe do Executivo do município, após pedido do governador Elmano de Freitas (PT) e a orientação do senador Camilo Santana (PT), segundo o vereador.
Ainda durante o pronunciamento, o vereador fez críticas à oposição e defendeu a aproximação do mandato e do PT com a gestão municipal, com o intuito de facilitar a liberação de emendas e o desenvolvimento de programas.
ACUSAÇÃO DE TRAIÇÃO
A fala gerou a reação de Jefferson Morais, membro da oposição em Ipueiras. Foi quando o vereador tirou a tapioca de dentro da vestimenta e fez declarações contra Ailton Sampaio.
“Você é isso aqui, ó. Você é um vereador tapioca. É o que você é isso aqui, ó. Você já virou para um lado, já virou para outro, já desvirou de novo e agora tá desse lado de novo. Você não tem moral. Você é um traidor”, afirmou Morais.
Por sua vez, no tempo de liderança, Ailton voltou à tribuna e cobrou respeito, sem citar diretamente o colega de Parlamento.
"Respeitei e reiterei a necessidade de respeitar a decisão de todos e quaisquer colegas. Se algum dos colegas aqui tiver alguma opinião sobre os meus atos, guarde para quem lhe pedir, o que não é o meu caso e nem nunca vai ser", pontuou o vereador petista.
Disputa ideológica na Justiça do Trabalho
A identificação de magistrados com perfil ideológico razoavelmente nítido não é novidade na Justiça do Trabalho. Até 1999, tal setor do Judiciário ainda operava com os vogais, juízes classistas que chegavam ao posto a partir de indicações de sindicatos patronais e laborais.
O fato novo é que dois ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST) tornaram públicas suas diferenças ideológicas.
E isso num momento em que o Poder Judiciário enfrenta enorme desgaste de imagem, devido a casos como o envolvimento de ministros do Supremo Tribunal Federal com o Banco Master e vendas de sentenças no Superior Tribunal de Justiça (STJ), sem contar os supersalários da categoria.
No início deste mês, o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, dividiu os juízes trabalhistas entre "vermelhos" e "azuis" e se incluiu numa das categorias: "Nós, vermelhos, temos causa, não temos interesse".
De acordo com Mello Filho, a terminologia cromática —que representa a disputa entre trabalhadores e empresas— teria sido cunhada anteriormente por Ives Gandra Filho, ministro do TST, que estaria no espectro azul.
Por mais que seja histórica, tal divisão não denota uma atuação técnica da Justiça do Trabalho, ainda mais necessária num contexto de mudanças tecnológicas no mercado, como os serviços por aplicativos, flexibilização de contratos e, principalmente, de litigância predatória.
Segundo dados do TST, em 2025, as empresas gastaram R$ 50,7 bilhões com ações trabalhistas, maior cifra desde o início da série histórica, em 2004. Em 2016, um ano antes da reforma trabalhista, foram R$ 26 bilhões. O salto, que se deve a mudanças na reforma realizadas pelo STF e pelo TST, gera impactos sobre a atividade produtiva.
A disputa entre os dois magistrados também se desdobra numa questão ética relevante.
Mello Filho, corretamente, cobrou Gandra Filho e outros de seus pares por uma opaca participação em curso oferecido pelo Instituto de Estudos Jurídicos Aplicados. Ao menos 14 dos 25 ministros do TST deram aulas ou foram anunciados como palestrantes no material de divulgação do curso, que ensina advogados a atuar na corte.
Não houve transparência em relação a quanto os magistrados ganham e sobre quem paga. Ademais, parece haver conflito entre o objetivo do curso e o dever de fidelidade institucional dos ministros. É razoável que juízes especializados deem aulas de direito do trabalho. Já ensinar a alunos pagantes truques para dar-se bem na corte em que atuam ultrapassa a linha do aceitável.
Num ponto, porém, juízes de todos os ramos do direito e de todas as instâncias, além de procuradores e advogados públicos, se irmanam, sejam vermelhos ou azuis: o ímpeto para acumular e ampliar penduricalhos que elevam seus salários muito acima do teto constitucional.
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